O Instituto Brasileiro de Advocacia Pública – IBAP vem a público prestar solidariedade aos povos organizados em torno da Cainquiama (Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia), aos familiares e amigos de Paulo Sérgio Almeida Nascimento e protestar contra seu brutal assassinato, na madrugada do dia 12 de março de 2018.
A indignação é maior porque matar Paulo Sérgio é mais uma tentativa de calar as vozes que se levantam contra a barbárie que destrói a natureza, suas gentes, plantas e bichos. Ele sofreu ameaças enquanto denunciava as bacias de rejeitos da Hydro. Cobrava da prefeitura de Barbarena, PA, a exibição das licenças a ela concedidas e a fiscalização de dejetos tóxicos clandestinos que estavam matando o rio Muripi, as pessoas, animais e plantas que dele e nele vivem.
A propósito, Hydro é uma gigante do alumínio norueguesa que, segundo o jornal sueco Svenka Dagbladet. em 2010 comprou a parte de produção de alumínio da Vale por 4,9 bilhões de dólares. É bom lembrar que, em 1997, a Vale inteira foi vendida em 1997 por R$ 3,3 bilhões.
Mas a Hydro não é só isso. Seu capital é formado por dinheiro público norueguês (34,7%) e fundos de pensão também noruegueses (6,5%). Em seu site oficial, em inglês, afirma que sua razão de ser é “criar uma sociedade mais viável pelo desenvolvimento de recursos naturais e produtos com sistemas inovadores e eficientes”.
Essa eficiência inclui, no Brasil, dutos clandestinos, poluição em Barbarena e a destruição do rio Muripi e de seus habitantes, humanos ou não. Cabe indagar o papel da sócia Noruega nisso tudo, a mesma Noruega que dá dinheiro para a preservação da Amazônia e ajudou os povos na formulação da Convenção 169 da OIT. O que tem a dizer sobre isso?
O Instituto Brasileiro de Advocacia Pública – IBAP se solidariza com as mulheres e homens, animais e plantas e rios afetados pela poluição e especialmente pelo assassinato de Paulo Sérgio Almeida Nascimento, exigindo a apuração do crime e de sua razão, com a identificação de seus autores e mandantes.

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