Por: Carlos Frederico Marés de Souza Filho

(Ex-Procurador Geral do Estado do Paraná, Professor de Direito da PUC-PR e Diretor Internacional do IBAP)

 

Quando Napoleão III assumiu o governo de França por um golpe de Estado Victor Hugo escreveu “Napoléon, Le Petit”, foi exilado e perseguido ferozmente pelo regime do Segundo Império Francês.

No opúsculo Victor Hugo inaugura a imagem de 2+2=5 na conta da política de exceção autoritária. Pois foi isso mesmo que eu senti no julgamento do Habeas Corpus de Lula no STF: pequenos ministros submissos a ameaças da imprensa hegemônica e dos militares afirmaram 2+2=5.

As luzes fortes da transmissão midiática apenas ilumina o instante. O futuro, a história e a biografia de cada um é iluminada pelas grandes decisões comprometidas com a Verdade e pela coerência de afirmar que 2+2=4, apesar dos gritos ameaçadores de que é 5.

Senti tristeza porque foram esgarçados os compromissos com direitos fundamentais por aqueles que, na minha esperança, estavam lá para garanti-los, defendê-los e, entretanto, não quiseram, ou temeram, afirmar que 2+2=4. Essas manchas podem ser apagadas? Os males podem ser curados? Adianta sorrir para a senzala e presentear o amo com o chicote novo?

Minha esperança vai se esvanecendo mas ao mesmo tempo aumentando por que acredito que ainda há muitos, incontáveis, que repetirão aos gritos que 2+2=4 apesar da opressão, da violência e da mentira.

Quem sabe o travesseiro dê bons conselhos aos ministros, quem sabe haja tempo para se redimir, enquanto isso não podemos retirar o epiteto de STF, o pequeno.

Curitiba, 5 de abril de 2018

  • Fantástico artigo !! As decisões importantes requerem posições definidas. É desta forma que a grandiosidade se manifesta. Madeleine

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